21 agosto, 2014

Stay Awake

Acordo num repente dormente. Acordo assustada com a força das palavras que me apresso a registar para que não fiquem perdidas no tempo, no momento em que me fizeram acordar de um sonho desconexo, que não reconheço. Não agora, que tudo me parece distante, num passado angustiante que me asfixiava e me anulava daquilo que sou. Um passado que me dissociava do que é meu, que me quebrava em bocados e que me fez desacreditar na vida das coisas e nas coisas da minha vida. 
Acordei de rompante com estas palavras repetidas no pensamento, num tormento. Lamento, mas quero acreditar que são apenas reflexos, sombras do passado, do momento marcado. Acabou. Ficou para trás. Onde deve estar, aliás. Coisas que nem quero lembrar. Quero apenas arrumar, como parte da minha história, na minha memória. Mas é inevitável, porque as palavras são fortes e acompanham o meu dia até agora. Como um cão preto, amigo fiel, cruel. Fica aí pequeno, despercebido, a um canto recolhido, apenas fazendo o teu papel. Para que não me esqueça dos dias sombrios, com frio, em que os sorrisos eram fechados e os abraços cansados.
Relembro o que ficou registado, assumido e gravado em papel digital. Foi assim: "Demente, sozinha. Tremendo, temendo este medo tremendo que é perder-me de mim".



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