19 agosto, 2012

O outro lado da minha cama #2


Se eu pudesse suspendia o mundo durante cinco minutos. Precisamente... agora. Neste agora em que eu ainda estou deitada na minha cama, a lutar contra o dia que se adivinha igual a todos os outros.
Suspendia eu o tempo e voltava-me para o outro lado da cama, que agora se encontra vazio, e encontrar-te-ia ainda entregue ao mundo do sonhos. Sentiria o meu corpo morno contra o teu. Dar-te-ia um beijo na nuca e respirar-te-ia devagar. Até acordares docemente com um sorriso e me tomares nos teus braços. Assim, daquela forma sôfrega que só tu sabes fazer, como se fosse a última vez. Como se fosse sempre a última vez. Ficaríamos só assim, os dois, à parte do resto do mundo.
Cinco minutos de ilusão bastariam. Cinco minutos em que me sentiria novamente feliz e desejada. Cinco minutos que outrora tive tantas vezes
E agora, passados cinco minutos de pura ilusão, está na hora de me levantar e de enfrentar a crua realidade dos dias. Assim, abandonando o meu lado da cama que ficará como o teu, vazio como um amor esquecido no tempo.

(Não se trata de ninguém em particular. É este que referi aqui, pois em boa verdade não é esta ou aquela pessoa que interessa, mas sim o sentimento que está aqui descrito. Não é minha intenção reaver ninguém, mas sim sensações e sentimentos que já fizeram parte de mim e que julgo irrecuperáveis. Não sei se sou capaz de voltar a sentir, não assim, não desta forma.)

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