09 agosto, 2012

Escrever... à mão


Para quem gosta de escrever, a mais alta forma de o fazer é à mão. Para mim, escrever é um acto tão natural que, quando o faço no computador ou no telemóvel, não tem o mesmo sabor.
Já lá vão vinte anos desde que o comecei a fazer. Mesmo antes da primeira desilusão de amor, que acontece na adolescência. Faz parte de mim e sinto a sua falta quando, por um motivo ou por outro, fico privada de o fazer. É um acto nobre que me liberta e me conforta.
É uma espécie de magia ver os pensamentos a serem  desenhados numa folha de papel em branco. Pena que a velocidade com que a nossa mão os desenha não acompanhe a rapidez com que vão surgindo na nossa cabeça. Por vezes, os raciocínios são tão rápidos que se atropelam. Tenho que parar um momento, respirar fundo, organizar as ideias e recomeçar. Tudo isto para que nada se perca.
Prefiro escrever com caneta preta, em pequenos papéis ou pequenos cadernos que vão sendo preenchidos com pedaços de mim. Escrevo essencialmente para mim. Aliás, faço-o apenas e só para mim, mas gosto de o partilhar. É bom sentir o feedback que alguns textos trazem. É gratificante receber alguns elogios. Não apenas por gostarem do que escrevo, mas por conseguir transmitir por palavras o que muitos se acham incapazes de fazer. É interessante perceber o quão algumas pessoas se sentem identificadas, como se fosse um discurso seu.
Por vezes, canso-me um pouco de mim. Acho que me torno repetitiva ou que a minha escrita reflecte demasiados momentos depressivos. Decido parar um pouco. Mas depois começo a ouvir ou a ler que algumas pessoas sentem falta daquilo que escrevo. Então, eu explico o porquê de ter parado um pouco. E é aí que surge uma voz que me diz que é precisamente por isso que gosta da minha forma de escrever. Por ser uma escrita muito mais negra que se afasta do romantismo comum. Que me destaco precisamente por esse lado negro e cru e pela forma habilidosa como uso as palavras.
Realmente, confesso que é quando estou mais deprimida ou revoltada que me saem os melhores textos. Enfim, continuarei a escrever, de preferência à mão. Essencialmente, para mim, mas continuarei a partilhar o que me vai na alma. Faça sol ou faça chuva, haja escuridão profunda ou um luar imenso.  

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