31 agosto, 2012

Once In A Blue Moon

Porque a R. disse que hoje vai haver uma Lua Azul no céu...




... aqui vai uma musiquinha com a participação dos meus queridos LadySmith :)

27 agosto, 2012

Arborismo

De sábado passado...
Depois de um almoço na melhor companhia numa esplanada no Jardim de Belém, com boa comida, bom vinho e o melhor cheese cake do mundo, seguiu-se uma hora desta actividade radical.
Muita aventura, muitas gargalhadas e... no dia a seguir, alguns músculos doridos.
Aconselho vivamente aos que se queiram libertar da monotonia do dia a dia. 
Desta vez, Odivelas. Mas o Jamor está já está na calha. :)

25 agosto, 2012

Como vou eu esquecer-te...

Como uma ilha... sozinha.
É assim que me sinto sem ti... neste dia em que faz 34 anos desde que me puseste no mundo. Sinto a tua falta como nunca. Um beijinho onde quer que estejas... e que hoje seja perto de mim.


Se houver tempo para tudo, ainda ouvirei esta música ao vivo, hoje na baía de Cascais. Vila onde vivi.

22 agosto, 2012

The fog & the lies


... abro os olhos e não consigo ver nada. Está demasiado nevoeiro para que consiga vislumbrar o que quer que seja. Ouço vozes imperceptíveis que se repetem e sobrepõem sem qualquer sentido lógico. Não as consigo descodificar. Não sei se chegam até mim através de uma parede, se estão apenas longe, ou se os meus sentidos não estão aptos ao que me parecem ser idiomas disconexos.
Franzo a testa e tento olhar por entre este nevoeiro cerrado. Vejo algumas sombras disformes. Tudo me parece confuso e difuso. Parece um sonho, mas não é. Tenho a certeza. É a realidade.
Consigo olhar para as minhas mãos. Consigo perceber que estou ali fisicamente, mas não consigo ver mais nada para além disso. Não caminho. Permaneço imóvel no mesmo sítio, como que a tentar perceber o ambiente que me rodeia, os contornos do espaço e das coisas que nele se encontram. O ar é demasiado denso. Nem uma brisa corre, nada que faça dissipar este ar pesado e viciado. E os meus olhos não têm aptidão suficiente para me fazer mover confiantemente num lugar assim. Fico condicionada.
Decido avançar aos poucos, pé ante pé, e começo lentamente a vislumbrar pequenas coisas, pequenos indícios. Peças de um puzzle que ainda não montei. Mas nenhuma das partes parece encaixar na outra. Parece algo mal construído, cheio de pontas soltas.
Continuo a caminhar calmamente e vou guardando nas mãos partes do que vou encontrando, daquilo que vai chegando até mim. Coisas que não procuro, mas que vêm ao meu encontro. Até que, por fim, algumas dessas coisas me começam a parecer familiares. Começo a reconhecer certas palavras, expressões, momentos, imagens. Percebo então que este nevoeiro cerrado é composto de partículas minúsculas desses pedaços de coisas. Que se foram desfazendo ao longo do tempo e que agora tornam a minha visão turva.
Até que percebo que são tudo pedaços de mentiras. Difundem-se no ar. Toldam o pensamento dos demais. Não são as minhas mentiras. São as tuas. E as tuas. E as tuas.
Seu eu minto? Claro que sim. Todos mentimos. É inerente ao ser humano. Mas eu magoo com verdades, não com mentiras. E as mentiras têm diferentes pesos. As minhas esfumam-se no ar no momento imediato em que saem da minha boca. São irrelevantes. Estas, de que falo aqui, são tão pesadas que adensam o ar, tornando-o irrespirável.
Sei que a vida não é só feita de mentiras, mas este ambiente está tão cheio delas que se torna impossível ver mais além. Por melhor que seja uma pessoa, às vezes basta uma atitude má, para que tudo se transforme. Pior é quando essas atitudes se repetem infindavelmente. E assim se seguem os incontornáveis pedidos de desculpas. Como borrachas gigantes que já não sabem apagar o que ficou para trás, porque as desculpas não anulam o passado.
Faço mais um esforço. Ponho uns óculos especiais, uma espécie de visão nocturna. Assim, já consigo ter alguma noção de formas e cores. Consigo ver alguns sorrisos e deixo-me deslumbrar por isso. Até parece que está tudo bem, que tudo se dissipou e a minha visão volta a ser clara e distinta. Volto a sorrir também, volto a aproximar-me e volto esquecer-me desse passado que não é assim tão distante. Volto a acreditar que tudo é possível. Volto a confiar.  E, de repente, levo uma paulada na cabeça que nem sei de onde vem. E então...
... abro os olhos e não consigo ver nada. Está demasiado nevoeiro para que consiga vislumbrar o que quer que seja...


21 agosto, 2012

Isolamento


Vou ter que me isolar. Não é tanto uma obrigação, mas antes uma vontade. Quero afastar-me de toda a gente. Quero ficar sozinha. Não quero ter de continuar a participar em coisas e estar constantemente a fingir que está tudo bem. Não quero estar constantemente a sorrir só para não causar desconforto no outro, porque as pessoas sabem lidar com risos e sorrisos, mas não sabem lidar com angústias e lágrimas. (Porque os outros são sempre importantes, só os outros importam. Não percebo porque é que também eu não posso ser importante de vez em quando).
Preciso de me retirar de cena. Ficar só assim comigo própria. Não sei sequer se vou deixar de escrever aqui. Ainda nem sequer considerei essa hipótese. Pois gosto muito deste cantinho, sabem? E não é minha intenção desfazer-me das coisas. Apenas quero estar sossegada. Quero ficar longe da confusão e da falsa calma que só traz mais confusão. Quero ficar longe das intrigas e dos falsos julgamentos. Tento participar e continuar socialmente activa, mas isso só me tem trazido mais dissabores. Testemunhar umas graçolas e beber uns copos, não me compensa, não me conforta, nem me tem feito assim tão bem. Só me faz duvidar mais do mundo e da genuinidade das coisas.
Preciso de me ausentar do mundo e de tudo o que lhe é inerente. Talvez o período de férias que se avizinha vá servir precisamente para isso. Preciso de descansar, de me proteger, de me fortalecer. Preciso de olhar mais para mim e menos para os outros. Deixar de me preocupar com quem e com o que não interessa. Peneirar a vida... Talvez trazer algumas pessoas daí. Ou talvez não. Está na altura de parar de me esforçar pelos outros. Disseram-me que me esforço demais. Pois chegou o momento de sentir que esse esforço também é feito por mim e para mim.
Não quero pensar no que está para vir. Quero suspender pensamentos e sentimentos. Quero não sentir.
Ainda esta noite, ajoelhada aos teus pés, te disse que tinha saudades tuas. Tenho tantas saudades tuas. E tu apenas disseste que daqui para a frente será pior. Que teria que me preparar. Não sei ao certo o que isso quer dizer, mas já que tenho que cá estar, é melhor que me reerga em força para aguentar todas as tempestades, todos os furacões. Talvez consiga fazê-lo. Talvez consiga resistir o tempo suficiente para sobreviver a este pior que aí vem. Talvez consiga até subsistir para ver o que vem depois disso, para ver se ainda surgirão raios de sol depois da chuva imensa. Porque só aí vou saber se vale a pena voltar a sorrir ou se mais vale parar de lutar e deixar-me levar para outro lado qualquer. 

19 agosto, 2012

O outro lado da minha cama #2


Se eu pudesse suspendia o mundo durante cinco minutos. Precisamente... agora. Neste agora em que eu ainda estou deitada na minha cama, a lutar contra o dia que se adivinha igual a todos os outros.
Suspendia eu o tempo e voltava-me para o outro lado da cama, que agora se encontra vazio, e encontrar-te-ia ainda entregue ao mundo do sonhos. Sentiria o meu corpo morno contra o teu. Dar-te-ia um beijo na nuca e respirar-te-ia devagar. Até acordares docemente com um sorriso e me tomares nos teus braços. Assim, daquela forma sôfrega que só tu sabes fazer, como se fosse a última vez. Como se fosse sempre a última vez. Ficaríamos só assim, os dois, à parte do resto do mundo.
Cinco minutos de ilusão bastariam. Cinco minutos em que me sentiria novamente feliz e desejada. Cinco minutos que outrora tive tantas vezes
E agora, passados cinco minutos de pura ilusão, está na hora de me levantar e de enfrentar a crua realidade dos dias. Assim, abandonando o meu lado da cama que ficará como o teu, vazio como um amor esquecido no tempo.

(Não se trata de ninguém em particular. É este que referi aqui, pois em boa verdade não é esta ou aquela pessoa que interessa, mas sim o sentimento que está aqui descrito. Não é minha intenção reaver ninguém, mas sim sensações e sentimentos que já fizeram parte de mim e que julgo irrecuperáveis. Não sei se sou capaz de voltar a sentir, não assim, não desta forma.)

14 agosto, 2012

Beautiful Rain #2






Sabe-me tão bem voltar a ouvir a chuva a cair...
Espelha o meu estado de espírito.
Na calma do meu refúgio, vejo a leve agitação das folhas verdes como quem quer beber as gotas de água tépida. As demais descolam-se e vão humedecendo a sede das coisas. 
Que paz de espírito... quase surreal.

13 agosto, 2012

Unknown Thought


Olho para as minhas mãos. Tenho os dedos todos riscados, qual criança que faz os seus primeiros desenhos.
Riscos pretos. Restos de palavras. Coisas que ficam por escrever. Laivos de tinta negra que marca a ponta dos meus dedos, sem sentido como os pensamentos que surgem devagar.
Sentimentos que fogem por não quererem ficar registados no papel, por não quererem surgir de forma precisa, palpável para não serem relembrados. Ficam apenas disformes cobrindo as impressões digitais. Sem identidade definida. Riscos pretos para me lembrar que, não querendo existir de uma forma real, nunca foram mera ilusão.


09 agosto, 2012

Escrever... à mão


Para quem gosta de escrever, a mais alta forma de o fazer é à mão. Para mim, escrever é um acto tão natural que, quando o faço no computador ou no telemóvel, não tem o mesmo sabor.
Já lá vão vinte anos desde que o comecei a fazer. Mesmo antes da primeira desilusão de amor, que acontece na adolescência. Faz parte de mim e sinto a sua falta quando, por um motivo ou por outro, fico privada de o fazer. É um acto nobre que me liberta e me conforta.
É uma espécie de magia ver os pensamentos a serem  desenhados numa folha de papel em branco. Pena que a velocidade com que a nossa mão os desenha não acompanhe a rapidez com que vão surgindo na nossa cabeça. Por vezes, os raciocínios são tão rápidos que se atropelam. Tenho que parar um momento, respirar fundo, organizar as ideias e recomeçar. Tudo isto para que nada se perca.
Prefiro escrever com caneta preta, em pequenos papéis ou pequenos cadernos que vão sendo preenchidos com pedaços de mim. Escrevo essencialmente para mim. Aliás, faço-o apenas e só para mim, mas gosto de o partilhar. É bom sentir o feedback que alguns textos trazem. É gratificante receber alguns elogios. Não apenas por gostarem do que escrevo, mas por conseguir transmitir por palavras o que muitos se acham incapazes de fazer. É interessante perceber o quão algumas pessoas se sentem identificadas, como se fosse um discurso seu.
Por vezes, canso-me um pouco de mim. Acho que me torno repetitiva ou que a minha escrita reflecte demasiados momentos depressivos. Decido parar um pouco. Mas depois começo a ouvir ou a ler que algumas pessoas sentem falta daquilo que escrevo. Então, eu explico o porquê de ter parado um pouco. E é aí que surge uma voz que me diz que é precisamente por isso que gosta da minha forma de escrever. Por ser uma escrita muito mais negra que se afasta do romantismo comum. Que me destaco precisamente por esse lado negro e cru e pela forma habilidosa como uso as palavras.
Realmente, confesso que é quando estou mais deprimida ou revoltada que me saem os melhores textos. Enfim, continuarei a escrever, de preferência à mão. Essencialmente, para mim, mas continuarei a partilhar o que me vai na alma. Faça sol ou faça chuva, haja escuridão profunda ou um luar imenso.  

08 agosto, 2012

Dos que saem sem bater a porta


Não entendo as pessoas que surgem, que mostram o seu melhor lado, que dizem que estarão lá para mim, que o fazem genuinamente (quero acreditar) e que depois saem sem bater a porta.
Vão-se embora assim, sem palavras, sem razões, sem desculpas. Deixando a porta aberta atrás de si. Vão de mãos vazias sem qualquer recordação. Sem uma explicação, um motivo, uma queixa que me faça entender o sentido da sua ausência.
Indiferentes, seguem o seu caminho como se eu nunca tivesse existido. Completamente invisível, inexistente, quase surreal. Não tenho importância, nunca a ganhei, nem nunca foi esse o meu interesse. Pois a amizade não é feita de interesses.
Abdicam livre e despreocupadamente, de uma forma tão desapegada que nem uma palavra surge. Nenhum som fica sequer no esquecimento.
Vão, sem nunca dizer adeus, sem nunca bater a porta...

07 agosto, 2012

Lei da Compensação


Se para cada coisa boa que acontece, surge sempre outra má para nos lembrar que não podemos estar felizes durante muito tempo, porque é que o seu inverso não acontece? Porque é que o estado normal das coisas é sempre mau? Porque é que não pode ser o contrário?
Calculo que a minha felicidade e o bem estar que atingi nos últimos dias tenha irritado os deuses, que prontamente trataram de engendrar algo que me deitasse abaixo. Pois conseguiram. Uma série de maus sentimentos surgiram no meu peito. Outros tantos pensamentos negativos atravessaram a minha mente. Fiquei fisicamente indisposta. Mas não quero estar assim. Fico triste por estar triste. Decido que é preferível voltar aos sorrisos e à leveza de espírito.
Pois é, deuses maléficos. Empurraram-me, mas não me derrubaram. E se tentarem de novo, até posso cair, mas tornarei a levantar-me.
Por mais escassos e curtos que sejam os momentos bons, eu dou-lhes o devido valor e agarro-me a isso com unhas e dentes. São eles que me injectam a energia necessária, que me fortalecem. São eles que ocupam aquilo que me compõe e que não deixam espaço para o que não quero para mim.
Hoje, venceu o bem! J

Valtor


Ontem encurtou-se a lista das coisas que nunca tinha feito e ainda quero fazer. O convite surgiu inesperado e, após um dia de trabalho em que o descanso e o bem estar do fim de semana ainda se faziam sentir, lá fui eu ao encontro de uma experiência que queria, mas temia.
Atravessámos a ponte e percorremos a estrada até Alcochete. Confesso que estava um bocadinho ansiosa e disse logo que ia apenas ver e tirar algumas fotografias.
Era um animal enorme e não fui sequer capaz de lhe dar uma festa. Fiquei assim a uma distância confortável enquanto o cavalo era preparado para ser montado.
À medida que o tempo ia passando e eu ia observando os seus movimentos, ia-me parecendo menor, apesar dos seus mais de seiscentos quilos. De pêlo castanho, brilhante e lustroso, com uma estrela branca na testa, patas traseiras brancas junto aos cascos e crina e rabo pretos, era de grande porte e impunha o devido respeito. Uma massa magnífica de músculos e força, tão dócil quão grande.
Lá  cedi e decidi ir montar. Apesar de ser muito alto, não tive medo. Não me assustei sequer. Desde logo senti uma ligação enorme com o Valtor. Parecia que nos fundíamos num só e sentia todos os seus movimentos. A sua passada pesada transmitiu-me a confiança necessária. Conseguia apreender a sua temperatura. É um animal de sangue quente. O seu corpo parecia uma continuação do meu. Ou o meu do dele. Os dois numa perfeita harmonia.
Andei a passo e a trote. Fui corrigindo a postura.  Primeiro, agarrada com ambas as mãos, depois só com uma e depois sem nenhuma. Virei-me no seu dorso e andei de costas. Voltei-me novamente para a frente e levantei os braços. Qual calavo alado...
A melhor sensação foi quando me deitei sobre as suas costas. Senti as suas patas da frente a caminhar lentamente e o seu quadril sob a minha cabeça. Todo o meu peso deitado sobre o seu corpo imenso. E eu, de barriga para cima, sem o ver, colava as mãos aos seus músculos, de dedos bem abertos para sentir cada movimento. E só pude sorrir... limitei-me a isso. Pois não há nada a dizer quando contemplamos o sublime.
Preferi montar sem sela do que com. É melhor para sentir. É uma sensação de comunhão incrível.
No fim, já me abraçava ao Valtor, em jeito de agradecimento, sem qualquer medo ou receio.
Uma experiência demasiado marcante que ontem me deixou extasiada e com poucas palavras. Aposto que os meus olhos brilharam o tempo todo.
Hoje, continuo a sorrir, embora com os pés assentes na terra. Já não estou deitada sobre o seu pescoço com os braços esticados a dar festas entre as suas orelhas. As lágrimas surgem docemente ao relembrar tamanha emoção.
Resta-me agradecer por esta experiência (a repetir). 
Há muito tempo que não me sentia feliz, assim. Obrigada, Velasco!



02 agosto, 2012

01 agosto, 2012

...


Acho que a silly season está dentro da minha cabeça. Não tenho conseguido escrever muito. E o que escrevo é demasiado específico para querer partilhar aqui. Sobre pessoas e coisas específicas. Não é assim que o costumo fazer. Não é assim que o quero fazer.
Não escrevo com nomes, por isso as histórias podiam ser de qualquer pessoa. No entanto, quem me conhece facilmente enquadrava a coisa. E para histórias corriqueiras, já basta o facebook e as suas cusquices. Por isso, tenho-me mantido um pouco quieta no meu cantinho.
Os dias são iguais a si próprios, sem grandes surpresas. Pode parecer monótono, mas é mesmo disso que preciso. Trabalho, casa. Casa, trabalho. A única coisa que agora ilustra os meus serões de maneira diferente são os jogos olímpicos. Gosto especialmente das provas de natação. E aguardo expectante pelo atletismo.
Também tenho estado emocionalmente mais tranquila. O que me permite perceber que talvez com o tempo as coisas se componham.
A minha casa está arrumada e limpa. Eventualmente, a minha mente seguirá o mesmo caminho. Gosto de olhar à volta e ver as coisas nos seus lugares. É gratificante e transmite-me calma.
Amanhã, sigo novamente rumo a sul. Está aí o festival de verão com o melhor cartaz de sempre. Pelo menos para mim. Vão ser quatro dias de praia, boa comida, descanso e muita música. Que mais se pode querer? Talvez a surpresa de estar com algumas pessoas de quem gosto. Quem sabe...