02 julho, 2012

Vertigo

(... a 27 de Junho, passada quarta-feira)
Um dia normal como tantos outros. Dez horas seguidas de trabalho, apenas com uma curta pausa de quinze minutos para almoçar. Final de tarde... tudo a postos para ver o jogo. Alguns acertos de última hora e saio do trabalho às seis em ponto.  Apanho o metro, troco de linha. Tudo tranquilo. Chego ao destino e, em vez de dar a volta ao quarteirão, decido cortar caminho e ir por uma ponte aérea que passa por cima de uma via rápida. Ando distraidamente agarrada ao telemóvel, como sempre. Última mensagem. Acto contínuo, guardo o telefone no bolso e levanto a cabeça...
De repente, dou por mim já em cima da ponte, talvez a mais de um terço do percurso, olho para o lado e vejo os carros a passarem por baixo de mim. O caminho estreita-se e o chão foge-me dos pés. As pernas tremem que nem varas verdes. Uma vertigem abismal... Sinto que se voltar para trás, vou cair. Caso me volte, caio redonda no chão e fico ali mesmo. O pânico instala-se. “Não olhes para baixo. Não olhes para baixo”. Começo a correr, mas rapidamente me apercebo que é pior. O pouco equilíbrio que ainda consigo manter, esvai-se. A ponte de ferro e betão armado balança sob os meus pés que nem uma folha ao vento.
“Calma. Respira fundo. Tu consegues!”. Não tinha força nas pernas. Nenhuma. Tive que a ir buscar um um lugar muito recôndito do meu ser. Fiz uma contagem decrescente e os metros entre mim e o fim da ponte iam encurtando.
Lá cheguei ao fim com a passada mais firme que me foi possível. Com a cabeça erguida e sem pinga de sangue a correr-me nas veias. “Consegui!”.
Que acelerado que batia o coração dentro do meu peito. A falta de ar que demorou a desaparecer. Dez minutos depois, sentia-me como se tivesse levado uma tareia. Tudo me doía e sentia uma imensa vontade de chorar, devido a tanta tensão acumulada em tão curto espaço de tempo. Logo eu que nunca tive vertigens na vida e pontes aéreas foi coisa que nunca me assutou. Que cena tão estranha esta...
Até me envergonho de dizer isto, mas por momentos, ali no cimo daquela ponte, julguei que ia morrer. Felizmente, tive presença de espírito suficiente para não me deixar levar por aquele turbilhão de sensações que não sei definir nem explicar. Será isto que sentem as pessoas que têm vertigens?...




Já passei novamente pela ponte. Duas vezes. Nada aconteceu. Alguém consegue explicar isto?...

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