25 julho, 2012

Do dia 4

17 de Julho

Acordei bem disposta, tomei um banho e coloquei um vestido. Depois tudo começou a correr mal. Já passa das três da tarde e ainda não consegui sair de casa. Às vezes parece que basta que uma coisa sem importância corra mal para que o meu humor mude de tal maneira que parece quase impossível que volte a reaver a boa disposição. Ainda não vi por nenhum momento que a minha saída de Lisboa valesse a pena. Não me consigo desligar do que me deixa triste, não me consigo divertir. Perdi a vontade de fazer coisas sozinha. Não consigo ler. Fecho-me a ver séries sem ter a mínima disposição para o que quer que seja. Estou-me a perder no lugar onde geralmente me costumo encontrar. Se não consigo sentir-me revitalizada aqui, não sei onde irei buscar forças.
Hoje soube o resultado das minhas análises. Colesterol, triglicéridos e ácido úrico. E há um indicador que revela indícios de uma infecção.  Tudo a passar a escala do que seria normal. Não entendo. Logo eu que tomo cuidado com a alimentação. Não como fritos e doces são controlados. Até o chá que bebo de manhã é sempre sem açúcar. A única coisa de que não abdico, ainda, é do açúcar no café. Mas sinceramente, não me parece que seja isso que faça com que estes valores se apresentem tão elevados. Como pouco e várias vezes ao dia. Como fruta e sopas e no verão as saladas constituem sempre o acompanhamento. Alguma coisa no meu organismo está a processar os alimentos de maneira anómala. Já para não falar noutros sinais que o meu corpo tem dado. Ou, neste caso, a falta deles. O medicamento homeopático que a médica me receitou está longe de fazer efeito. Diz que não preciso de psicoterapia, pois até nisso falei com ela. Não acredito particularmente nesse tipo de ajuda, mas até isso considerei.
Não me sinto bem com ninguém nem em lado nenhum. Sinto que estou a chegar ao meu limite. Tento falar com alguns amigos, mas a resposta é invariavelmente a mesma. Dizem-me para ter calma que com o tempo as coisas vão passar. Para procurar a garra que há em mim. Qual garra?... Não percebo.
Passam-me a mão pelo pêlo e debitam duas ou três frases, mas não sinto nenhuma atitude real. Não sinto que agarrem em mim e levem para algum lado. Para eu me distrair. Nem sequer tenho conversas reais com princípio, meio e fim. Porra, para onde é que me vou virar? Já estou tão cansada...
...
Acho que vou à praia ao fim da tarde. É a melhor parte. As pessoas já estão a sair e já não está tanto calor. Pode ser que ver o mar me traga alguma paz de volta.

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