25 julho, 2012

Do dia 3

16 de Julho

Acordei e tentei voltar a dormir, mas não consegui. Fiquei às voltas na cama e acabei por desistir. Tomei um banho e tomei o pequeno almoço e fiz-me à estrada.
Das coisas que mais gosto a caminho destas praias é precisamente o percurso. As curvas e contracurvas que conheço tão bem, os recantos, as casinhas por que vou passando, os cafés à beira da estrada, o nome das terrinhas, a passagem por dentro de Porto Covo, as dunas e as praias mesmo ali à beira da falésia. Um caminho algo longo de 27 quilómetros, mas que valem a pena, mesmo ao preço que a gasolina está. Chamem-me o que quiserem, mas em tempo de férias não se contam tostões. Lamento, mas passo o ano todo a fazê-lo. E, com o que trabalho, acho que mereço não ter que me preocupar com isso uma ou duas vezes por ano. A sério, acho mesmo que mereço.
Estive apenas uma hora na praia, apesar do tempo agradável que se fazia sentir, porque não estava demasiado calor e havia vento em quantidade suficiente para que a temperatura elevada não chegasse a incomodar. Depois chegou a hora do almoço e decidimos ir a um restaurante mesmo ali perto. Finalmente, as tão desejadas sardinhas, com uma caminha de pão (alentejano, claro) e um vinho (alentejano, claro) branco e fresco, com uma salada bem temperada de alface, tomate, pepino, pimento, cebola e cenoura. As batatas ficam na travessa à espera de quem as quiser comer.
Depois do almoço, decido ir fazer o euromilhões e dar uma volta. Aposta feita, mas o passeio ficou adiado devido ao excessivo calor que se fazia sentir. Estava demasiado mole para conseguir caminhar e os copos de vinho que bebi também não ajudaram. Decidi ir para casa para dormir uma sesta. Mas dormir é coisa que não tenho conseguido fazer. Falta-me o silêncio necessário. Estou habituada a ter o meu espaço e construo os meus silêncios quando assim o desejo.
Estas férias, ao dividir a casa com a família, ao invés do habitual campismo, e com os putos sempre a correr de um lado para o outro, a agitação está sempre presente a um ritmo demasiado acelerado. Não estou habituada a tanto movimento e não me consigo concentrar em tarefas tão banais como dormir, ler, escrever ou apenas pensar. Acabei por desistir, enfiei-me na banheira e tomei um duche com água a tépida, pois não há água fria que corra nos canos nestes dias tão quentes.
Sinto que me parou a digestão. Bebo apenas água em golos pequenos para que não piore. Mesmo assim, a má disposição tende a não abrandar. Abro todas as janelas e portas de casa. Finalmente, corre uma brisa. Estava a ficar demasiado insuportável. Estranho é que só eu pareço estar incomodada. Enfim...
São quase oito da noite e vamos jantar fora. Contentar-me ia com qualquer coisa leve lá mais para o avançar da noite, mas a família insiste em sair e lá vou eu com o rebalho. Talvez encontre uma saladinha no restaurante. Até já.

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