25 julho, 2012

Do dia 2

15 de Julho 

Acordei cheia de frio. Enregelada. Mais uma vez, comprovei que as noites no Alentejo arrefecem demasiado. Levantei-me com a energia necessária. Pequeno almoço tomado no sítio do costume, com aqueles croissants que já não são a mesma coisa nem com o mesmo tamanho de outros tempos. Apesar disso, continuo a lá ir. Gosto de manter os meus hábitos.
Decidi não ir logo para a praia, porque estava demasiado calor e seria este o meu primeiro dia em que me espunha ao sol. Comprámos carne para grelhar e alface para a salada. Vinho branco muito fresco para acompanhar, como se quer. Eles cozinham e eu ponho a mesa e lavo a loiça. Parece-me justo.
À tarde o descanso merecido. E mais um episódio do Casas para entreter.
Cinco da tarde. Hora mais que boa para ir à praia. Como é o primeiro dia, decidi não perder muito tempo e ir a uma das praias aqui da vila. A maior parte das pessoas já estavam a regressar a casa quando lá cheguei. Mesmo como eu gosto. Pouco calor e óptimo para apreender os últimos raios de sol. O suficiente para relaxar um pouco até se começar a levantar o vento próprio do ocaso e me dar o sinal que era altura de voltar.
Neste momento, encontro-me a aguardar que o jantar fique pronto. Um dia tranquilo. Vamos ver se amanhã a boa disposição cresce e reencontre o estado de espírito que necessito.

(...) Às cinco da manhã, dou por mim com uma insónia. Algo que não me acontecia há já algum tempo. Decido levantar-me e fazer outra coisa qualquer para ver se o sono vem.
Estendo-me no sofá da sala com apenas a luz de um candeeiro acesa e tento fazer o mínimo de barulho possível para não acordar os demais.
Há dois ou três dias que não actualizo a minha leitura virtual. Visito alguns blogues, mas depressa perco a paciência de ler as letras pequeninas que se vão mostrando no pequeno ecrã do telemóvel. Não tenho net no portátil. Também não me faz grande diferença. Vou escrevendo e mais tarde publico, se for caso disso.
O sono tarda em aparecer e já são quase seis da manhã. Lá fora, ouço os galos que anunciam o nascer do dias e uma matilha de cães insiste em marcar a sua presença em latidos constantes. Provavelmente, foi isso que me acordou.
Acho que amanhã, depois do belo pequeno almoço com pão alentejano, vou até uma das minhas praias. Estou a precisar de ver o mar e de ganhar alguma cor. 31 graus é a máxima prevista para amanhã (esse amanhã que já é hoje, mas que não assumo porque ainda não dormi tudo). É demasiado calor para mim, mas suficientemente suportável com a ajuda de um chapéu de sol, água e evitando as horas de maior calor. Ouvi dizer que na capital está insuportável. Ainda bem que fugi de lá.
Tenho fome. Uma bolachas são o ideal para entreter o estômago. Agora lembrei-me daquela história do Murakami em que eles não têm comida em casa e às tantas da manhã decidem ir assaltar um McDonalds. Mas não tenho assim tanta fome e nesta terra, felizmente, ainda não há disso.
Corintia são a minha companhia. Mais que suficiente.
O dia começa a surgir lá fora, tímido. Já vai iluminando as casinhas alentejanas com janelas enquadradas em tons de azul. Os galos vão soando cada vez mais longe e os latidos caninos deram lugar ao piar das andorinhas.
O portátil dá agora sinais de pouca bateria. Faz o primeiro aviso em que apenas restam dez por cento. Deve ser esta a minha deixa para regressar à cama e tentar passar novamente para o outro lado dos sonhos. Até já...

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