04 julho, 2012

As tuas duas mãos na minha cintura


Acordei com uma sensação docemente estranha. Acho que sonhei contigo novamente. Desta vez, nem sequer te vi, mas tenho a certeza que eras tu. Eu estava encostada ao balcão da cozinha a cortar uns vegetais para o jantar. Tu vieste por trás de mim, colocaste as tuas duas mãos na minha cintura, uma de cada lado junto ao atilho do avental, e falaste-me perto do ouvido, como que a espreitar por cima do meu ombro direito a tentar ver o que eu estaria a fazer. Lembro-me de perguntares se eu precisava de ajuda enquanto roubavas uma rodela de pepino. Talvez para ir entretendo o estômago enquanto bebias a tua boémia.
Lembro-me ainda de sentir um breve beijo na linha invisível que separa o pescoço do ombro antes das tuas duas mãos abandonarem a minha cintura.
Nunca me virei. Continuei calmamente a cortar os vegetais. Uma cena tão normal da vida real.
Achei estranho pela intimidade que partilhávamos. Não era algo físico, embora obviamente houvesse essa proximidade, mas não tinha qualquer maldade ou intenção. Nem minha, nem tua. Era uma confiança que só algumas pessoas têm. Uma cumplicidade muito bonita pela sua natureza desinteressada.
Um sonho tão real que custa a acreditar, pois na minha realidade estes sonhos não existem.

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