08 maio, 2012

Where is my mind?...


Preciso de alguém que me ilumine, porque por vezes penso mesmo que estou a enlouquecer. Sinto que estou a perder a noção de realidade. Sinto-me cada vez mais afastada das coisas como elas são. Parece que tudo se torna mais difuso e confuso. Parece que me estou a afundar e que vivo num mundo à parte.
Preciso de alguém que me puxe para cima, alguém que me traga à tona para que eu possa respirar de novo. Passo a maior parte dos dias com uma angústia enorme no peito.
Hoje surgiu o sol e senti que com ele tinha voltado a minha vontade de querer viver, de querer fazer coisas, tinha surgido a minha vontade de sorrir de novo. Mas foi ao primeiro momento em que algo sem importância correu mal, que tudo se desfez. Era uma falsa felicidade.
Voltou a angústia, voltou o receio de tudo e de todos. Ressurgiu a vontade de chorar, de querer ficar sozinha, fechada em casa, escondida do resto do mundo. Com a aproximação da noite, voltou esta espécie de depressão.
Gostava que viesse alguém que me dissesse que isto é normal, que faz parte e que tudo isto são reacções previstas. Gostava que viesse alguém que me abraçasse e que me dissesse que a mim também me é permitido chorar. Que posso desistir de tudo, ainda que seja apenas por breves momentos, até recuperar a força necessária para encarar os dias. Gostava de me sentir protegida e de me abandonar nos braços desse alguém até adormecer.
Depois, afasto esses pensamentos todos. Digo para mim própria: “Deixa de ser mariquinhas que já não tens idade para isso. Pára de te desculpar e faz-te à vida!”. Porque na verdade não me permito ceder. Sou demasiado exigente comigo própria. Tenho medo de cair num abismo e não conseguir regressar.
Quando sinto aquele esgar de dor, quando sinto aquela linha de água que me rasga o olhar, fujo de dentes cerrados. Reprimo. Odeio não saber lidar com isto de uma forma natural e saudável. Disfarço perante todos e finjo que está mesmo tudo bem. Mas custa muito. Dói demais. Muito mais do que poderia imaginar. Isto não pode ser assim. Porque se é mesmo assim, porque é que ninguém me avisou? Porque é que ninguém fala sobre isto? Será que o tempo atenua mesmo esta dor imensa?
Não sei se isto é normal, se faz parte do processo do luto e se é apenas uma fase por que tenho mesmo que passar. Mas, sinceramente, às vezes penso mesmo que estou a enlouquecer...




2 comentários:

  1. É normal!!! Ninguém pode nem consegue ser forte o tempo todo!!! Permite-te chorar, gritar, ir ao fundo do poço... e ganhar impulso para voltares para cima! Aceita... e aceita-te!

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  2. Jo, o processo de luto pelos nosso pais ou entes muito próximos, apesar de, com o tempo, se tornar menos evidente, menos doloroso, é permanente. Vais sempre lembrar-te, vais sempre sentir saudades, vais sempre chorar. Todas as datas importantes, todos os dias vais sentir um vazio. A ausência, as saudades... ainda que esse vazio se torne pequenino! Não estás a enlouquecer. Estás triste, estás profundamente triste e sem chão, sem o teu tronco de árvore... Desiste, chora, grita. Chama por mim, pelos teus amigos, por todos. Depois levanta-te, vê o sol e começa tudo de novo. Tantas vezes que caíres são as mesmas que te levantas. Não és mariquinhas! És humana!...

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