15 maio, 2012

Not asleep


O que dizer destas noites em que o sono vai chegando devagarinho, mas que a vontade de me manter acordada é maior que o peso que cai sobre os meus olhos.
O tempo é tão curto e passamos a sua maior parte a fazer aquilo que não gostamos, fechados entre paredes, aspirando o ar condicionado e quem sabe com uma janela pequena que não podemos abrir, mas que nos permite expandir o olhar dali para fora. Como a vontade que temos em ser outra pessoa qualquer, com uma vida diferente e um pouco mais de liberdade.
Assim, e quando o sono vai chegando nestas noites quentes de um verão disfarçado, teimamos em fazer o que sonhámos durante o dia. Alguns afazeres em casa, estar um pouco com as pessoas de quem gostamos, fazer uma refeição leve confeccionada em casa e, acima de tudo, passar algum tempo connosco próprios. Aquilo de que sinto tanta falta e para que quase nunca tenho disponibilidade. Tempo para mim.
Já passa da uma e penso nas poucas horas que vou dormir. Sempre insuficientes. Não quero ir já para a cama. Isso acelera a manhã. Não quero antecipar a azáfama repetida e monótona de todos os dias. Fico assim, mais um pouco, a adiar o inevitável e a saborear aquilo que me permito ser.


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