09 março, 2012

The light through the blinds

Adormeço com dificuldade, pela ansiedade que cresce dentro do peito. Por mil razões ela aparece, mas por nenhuma em especial. Fecho os olhos a custo e deixo-me levar. Acordo de hora em hora. Mudo de posição diversas vezes. Sonho imenso. Coisas desconexas.
Acordo com a mesma ansiedade, mas em muito maior grau. Custa-me a respirar. Tendo a respirar fundo, como que a expulsar esta pressão que se vai acumulando. Assusta-me sentir estas coisas, pois não sei o que fazer com elas. 
O dia vai surgindo por entre bolinhas ovais de luz. Sento-me. Tento acalmar-me. Falo contigo, contigo e contigo. Para me distrair, para me ajudares, para sentir só que estás aí.
Leio. Descubro coisas interessantes. Mas este sentimento estranho parece não me abandonar. Parece que se colou às paredes da minha alma. Colou-se pelo lado de dentro e bem lá no fundo, quase impossível de alcançar. Qual criança que tenta aceder ao último biscoito no fundo de um frasco. Talvez se me virarem de pernas para o ar. Talvez se me virarem do avesso. Talvez se me encherem de coisas boas, isto possa vir ao de cima e transbordar para outro sítio qualquer, para longe de mim.
A vela suada à minha frente imprime um aroma adocicado no ar morno do quarto. Abro o estore e a luz deste estranho sol morno de inverno invade o espaço onde me encontro. Sozinha.
Queria sair, mas estou impossibilitada. Nem caminhar consigo. Talvez Ele me leve ao colo. Ou apenas aqui fique a fermentar o que não sei identificar. Talvez me arme em teimosa e vá na mesma. Respirar um pouco de ar puro. Sentir as estrelas de dia num jardim tão próximo daqui. Antever a lua cheia que há-de vir e fechar os olhos. Ouvir os sons em redor. Ficar só assim, sem sentir mais nada… pode ser?




1 comentário:

  1. Sou pequena e frágil, mas consigo levar-te ao colo... Podemos parar no caminho algumas vezes, para recuperarmos forças, mas sei que conseguiremos lá chegar. E, pelo caminho, ainda riremos juntas!
    Sabes que não estás sozinha...
    Por vezes caladinha, mas... Sempre aqui!

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