02 novembro, 2011

The Lamp



Aqui onde estou é muito frio e húmido. É um lugar terrível onde ninguém devia estar.
Há pouco tempo, alguém acendeu uma luz lá ao fundo. Uma luz trémula, amarela, quase imperceptível de tão fraca. Foi iluminando este canto onde me encontro agachada, de cócoras, escondendo a cara entre as mãos. Foi-se estendendo e a custo permaneceu.
Hoje, esse mesmo alguém trouxe um pau e partiu a lâmpada com violência e indiferença. Essa lâmpada que ainda iluminava os meus dias. E ficou tudo escuro de novo. Nem os pirilampos parecem reflectir o seu brilho. Voaram para longe, para um lugar mais quente, mais acolhedor.
O frio gela-me até aos ossos. É um frio que vem de dentro e me gela até à alma… e me deixa assim, sem saber reagir. Lágrimas salgadas escorrem-me pela face e não as consigo evitar. É demasiado. Já não as consigo deter por mais tempo. Tenho que as soltar para libertar a pressão que sinto e que tento disfarçar.
Só assim amanhã poderei acordar para mais um dia e estoicamente cumprir os meus deveres. Só assim poderei sorrir e mascarar o que não me deixa respirar bem. Para que ninguém repare, pois não preciso de compaixão. Preciso sim de abraços apertados e sorrisos sinceros que surjam gratuitamente como reacção àquilo que sou e que dou, e não como consequência do que agora estou a viver.



... e é então que outra luzinha pisca e apareces assim, quase sem querer e sem ter noção das tuas palavras, e dizes:
"Eu não preciso de saber! Posso-te abraçar e oferecer o meu ombro... E podemos ficar em silêncio. E sim! És mais bonita quando sorris..."



1 comentário:

  1. Ainda fico comovido que tenhas transcrito as minhas palavra neste texto
    ... Obrigado pela confiança!!! Admiro muito a tua coragem e força!!!

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