20 setembro, 2011

Hoje...

Hoje, aproveitei a minha hora de almoço para escrever um pouco. Algumas reflexões apenas. Fui interrompida por diversas vezes. Começo a achar que existe uma certa atracção, uma espécie de curiosidade, porque aparece sempre alguém que questiona o que estou a fazer e pergunta em tom depreciativo se se trata de um diário. Não, não é um diário. É uma carta de amor, respondo. E assim se afastam, ficando a dúvida inicial.
 
 
Hoje, senti que estavas com uma vontade imensa de falar, de desabafar. De partilhar qualquer coisa que te incomoda há já bastante tempo. Não me conheces, apenas trocámos meia dúzia de palavras e confesso que por vezes dou por mim sem me lembrar do teu nome. Tens sempre um sorriso para oferecer. Não sei o porquê, nem mesmo se é sincero. Não estou habituada a isso, a sorrisos sinceros e gratuitos. Infelizmente, habituei-me a desconfiar disso. Mesmo assim e por sentir que ia valer a pena, deixei-te avançar na minha direcção e ouvir o que a custo ias acabando por revelar. Pormenores muito pessoais da tua vida. Continuo sem perceber o porquê de o teres feito comigo, uma pessoa que mal conheces. Mas simultaneamente, sinto-me recompensada por teres confiado em mim, por teres percebido que eu posso guardar os teus segredos.
Entregaste-me um texto teu. Li-o com todo o respeito e carinho. E senti-me identificada com algumas das tuas palavras, por já ter vivido a tua história demasiadas vezes. É triste. E como diria Miguel Esteves Cardoso, “o amor é fodido”. Pois é. E de que maneira.
Não tenho palavras de conforto. Nenhuma delas vai alterar o que pensas ou o que sentes, nem é esse o meu intuito. Apenas te quero dizer que gostei do que li e da simplicidade com que foi escrito. Continua. Cria um blogue, como eu o fiz. Vais ver que te vais sentir melhor. Talvez ele um dia possa ler as palavras que lhe foram dirigidas.
 
 
Hoje, sorri tentando esconder as lágrimas que teimavam em querer saltar cá para fora, quando ligaste para a tua Mãe. Perguntaste a sorrir se estava no céu com o São Pedro e pedias que trouxesse bom tempo, como quem dá um recado. Uma boa cunha realmente…



1 comentário:

  1. Passados alguns dias, deixo aqui o meu mais sincero abraço e um muito obrigada pelas palavras!

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