15 maio, 2011

Kite Love

Tratas-me bem. Demasiado bem. Não estou habituada a que me tratem tão bem. Não de uma forma tão gratuita. Fico sempre desconfiada, pois quando no passado fui tratada desta forma, incontornavelmente vinham sempre as outras formas de tratar. Mas contigo não. Preocupas-te realmente. Tens sempre imensa atenção. Imenso cuidado. E eu volto a desconfiar, pois a vida ensinou-me que isso não é real e que há sempre o reverso da medalha. E digo-to. E tu sorris e dizes que não existe razão nenhuma para o fazeres de outra forma. Dizes que mereço ser mimada. E eu sorrio e concordo, mas sempre com uma certa tristeza, pois não acredito que possas ser sempre assim.

Ontem olhaste para mim e sentiste um baque no peito. Pensaste que seria avassalador se me perdesses. Assustaste-te… “Não te quero perder”, dizes. “Não me vais perder”, respondo.
Tentas captar tudo aquilo que faz parte de mim. Queres-me conhecer realmente. Queres saber prever o que uma palavra, um olhar ou um gesto anunciam. Queres poder cimentar os muros antes que ameacem perigo de ruir. Queres poder estar ali para mim sempre e incondicionalmente. Insistes para que conte com isso. Mas estou habituada a ser só eu e a lidar com o mundo à minha maneira e não costumo recorrer a ninguém, pelas demasiadas vezes que esse ninguém me falhou… Mas tu continuas sempre aqui.

Ficas sem saber o que pensar quando te olho intensamente. Dizes que esse olhar ainda não sabes ler. E eu respondo que com o tempo irás perceber. E eu explico-te, agora e assim desta forma, que esse olhar tenta transmitir o que realmente sinto por ti. Não o traduzo em palavras por ter medo ou por ser cedo ainda, não sei…
E fico assim, só a olhar para ti… à espera que possas sentir o que isso é e que percebas que o que sinto por ti é maior do que imaginas.


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