30 maio, 2011

Despite the Rain

A distância imposta pelos dias da tua ausência provocou um arrefecimento das emoções. Congelei os sentimentos para que se pudessem conservar, para que permanecessem imutáveis. Mantive o tempo ocupado sem espaço para sentir demasiado a tua falta. A autodefesa involuntária.
O regresso adiado pela espera que parecia não terminar. A ânsia que cresceu no peito, a tristeza infundada.

Tudo isso se dissipou quando olhaste para mim, o sentimento cresceu e a vontade de me abraçar era mais que evidente.
Aquela premência em me teres de novo subiu pelo teu corpo e o reencontro surgiu como o retrato fiel de tudo o que tinhas imaginado.
O teu olhar de menino e o facto de não conseguires esconder tamanha satisfação, reflectem os sentimentos que ainda não consegues explicar.
Foi quando te revi e te senti de novo nos meus braços, quando nos unimos e nos respirámos, que realmente percebi a importância que tens e a falta que me fazes e, inevitavelmente, regressaram as emoções e os sentimentos adormecidos pelo frio da tua ausência.
E, apesar da chuva, um sorriso estampou-se na tua face. Esse sorriso que te acompanha até agora… e dizes – “só assim faz sentido”.

"Anyone who says sunshine brings happiness has never danced in the rain"

27 maio, 2011

(des) animé

Procuro imagens, sons… Procuro palavras… procuro qualquer coisa que me instigue e me faça transpor para o papel aquilo que atravessa o meu pensamento. Mas nada parece bastar. Tudo sem cor, sem sentido. Nada me suscita a curiosidade ou sequer vontade do que quer que seja.
Apatia… Fico assim parada, imóvel, inerte. Sinto a superfície do corpo quente, mas por dentro tenho um cubo de gelo que imobiliza qualquer emoção.
É mesmo assim. Tem que ser assim. Tenho que fechar um pouco a porta e minimizar os sentimentos, reduzindo-os a um quase nada. Carregar no botão do off e desligar. A frieza dará lugar ao que outrora me reconfortou.
Esta noite serei fria, despreocupada, ausente de julgamentos. Sem envolvimentos físicos ou emocionais. Desprezível até…
Serei uma sombra vazia de mim. Um corpo estranho e (des)animado. Mover-me-ei apenas com gestos automatizados e sorrisos por encomenda, pois sem qualquer sentimento tudo se torna artificial.
Existirão luzes e purpurinas, frases feitas e apertos de mão, poses e sorrisos de ocasião.
Esta noite vou sair e tu não vais estar ao meu lado. Ausentaste-te para outra cidade. Longe desta Lisboa que me compõe.
Mas tu vais lá estar e dar-te-ei a mão se me sentir sozinha… «¨»

Mind The Cat

26 maio, 2011

Waiting On An Angel...

Now angel won't you come by me
angel hear my plea
take my hand lift me up
so that I can fly with thee

London Memories...


Give Till It's Gone






http://www.cbs.com/late_night/liveonletterman/ben_harper/video/

20 maio, 2011

Lisbon Soul to London Eye




Sari


Um dia compro um sari e levo-te a jantar...


 

19 maio, 2011

Vida de Cão



O que eu dava por uma sesta....


18 maio, 2011

Turn Your Lights Down Low


Apetece-me pegar em ti e levar-te daqui. Afastar-te do que nos rodeia e ir para um lugar qualquer longe de tudo o que aqui existe. Um lugar onde não se aviste ninguém até ao horizonte e onde possamos sentir a calma necessária.
Quero baixar a luz que ofusca e o som que distorce a verdadeira natureza das coisas.
Quero dar-te a mão e ficar assim durante muito tempo, com a cabeça pousada no teu ombro, e apenas a sentir a tua respiração e os batimentos cardíacos que a acompanham.
Quero que te libertes de preconceitos e de qualquer influência exterior ou anterior. Quero que sejas tu próprio e te entregues de corpo e alma àquilo que dizes sentir.
E quero que esse mundo, só nosso, permaneça intocável, para que possamos lá voltar sempre que quisermos enaltecer o que sentimos, pois tudo o resto vem por acréscimo.
E quero que saibas que me podes encontrar aí, nesse lugar, quando te sentires perdido, quando sentires necessidade de voltar ao que te pertence, te entende e te conforta. Eu vou lá estar à tua espera...




Who The Cap Fit?...

Será possível?...
Ultimamente, têm-me acontecido coisas tão surreais que, por vezes, me pergunto se não terei entrado noutra dimensão.
As pessoas têm atitudes tão impensáveis que fico boquiaberta, sem sequer saber reagir. Acusações infundadas que me desarmam pela imensidão da sua crueldade. Não entendo como é possível que determinadas coisas possam sequer passar pelo pensamento de alguém. Como é possível haver mentes capazes de engendrar tal raciocínio e de o atirar contra alguém que mal conhecem.
Sinto-me desiludida com o ser humano em geral e cada vez perco mais a credibilidade no mundo e nos que dele fazem parte.
Cada vez que me magoo ou desiludo, só me apetece afastar e viver à parte da sociedade. Mas isso não é possível. E depois o tempo faz desvanecer a dor e volto a acreditar que se calhar ainda há pessoas boas e que tudo vale a pena. E para quê? Apenas para me magoar uma e outra vez. Com a minha idade e depois de tudo o que já passei, já me devia saber defender e já devia saber reconhecer quando algum mal está para vir. Mas não. Ainda tenho uma réstia de esperança no futuro, pois é futuro e ainda não aconteceu e, pela sua imprevisibilidade, quero acreditar que possa ainda haver a possibilidade do rumo certo existir. Quero acreditar que ainda existem pessoas genuínas e sinceras, sem maldade. Quero poder voltar a sorrir sem receio de que o meu sorriso seja julgado por quem estiver ao meu lado…


17 maio, 2011

Meio-Dia

Disseste que vinhas amanhã ao meio-dia. Tão preciso. Doze horas. Em ponto. Não podes precisar isso. És falível, como os seres humanos. Não tens esse poder. Não tens esse direito. Não te podes sequer atrever.
Meio-dia. Precisamente o momento em que o dia se divide. Se vieres, também tu ficarás dividido. 
Eu acho que não vens. Inventarás uma desculpa qualquer, parecida com a da última vez. Aliás, nada dirás. Vais deixar simplesmente que a outra metade do dia percorra as horas, os minutos e os segundos em silêncio. Nem o compasso dos ponteiros do relógio se fará ouvir. Ficará tudo estanque, no vácuo.
Quem me dera também ficar assim, suspensa… sem nenhum pensamento a atravessar a minha mente. Sem nenhuma palavra a vaguear docemente pelas linhas do meu raciocínio. Sem nenhuma imagem a desertificar a minha visão. Nem tudo preto, nem tudo branco. Nada. Nenhum sentimento. Nada que me faça sentir que estou sequer a respirar. Nem luz nem sombras. Nenhum gosto na boca. Nenhuma imperfeição no tacto. Nenhum cheiro que me traga a realidade de volta. O Nada…
Não é sequer um vazio que me deixe angustiada e que me provoque um sentimento amargo. Não. É nada. Impossível de imaginar. Mais difícil que a ideia de Infinito.
Uma suspensão de memória. Acordaria no dia seguinte sem sequer me ter apercebido da passagem do tempo. Sentia apenas uma paz enorme. Como se tivesse descansado o que nunca descansei, por estes anos todos. Num meio dia, ao meio dia. Com essa precisão.
É isso. Se não vieres ao meio-dia, tomarei um ansiolítico, para me desligar. Para me ligar ao vazio, a esse nada que me descansa. Que me permite parar e afastar de mim todos os males do mundo.


16 maio, 2011

15 maio, 2011

Kite Love

Tratas-me bem. Demasiado bem. Não estou habituada a que me tratem tão bem. Não de uma forma tão gratuita. Fico sempre desconfiada, pois quando no passado fui tratada desta forma, incontornavelmente vinham sempre as outras formas de tratar. Mas contigo não. Preocupas-te realmente. Tens sempre imensa atenção. Imenso cuidado. E eu volto a desconfiar, pois a vida ensinou-me que isso não é real e que há sempre o reverso da medalha. E digo-to. E tu sorris e dizes que não existe razão nenhuma para o fazeres de outra forma. Dizes que mereço ser mimada. E eu sorrio e concordo, mas sempre com uma certa tristeza, pois não acredito que possas ser sempre assim.

Ontem olhaste para mim e sentiste um baque no peito. Pensaste que seria avassalador se me perdesses. Assustaste-te… “Não te quero perder”, dizes. “Não me vais perder”, respondo.
Tentas captar tudo aquilo que faz parte de mim. Queres-me conhecer realmente. Queres saber prever o que uma palavra, um olhar ou um gesto anunciam. Queres poder cimentar os muros antes que ameacem perigo de ruir. Queres poder estar ali para mim sempre e incondicionalmente. Insistes para que conte com isso. Mas estou habituada a ser só eu e a lidar com o mundo à minha maneira e não costumo recorrer a ninguém, pelas demasiadas vezes que esse ninguém me falhou… Mas tu continuas sempre aqui.

Ficas sem saber o que pensar quando te olho intensamente. Dizes que esse olhar ainda não sabes ler. E eu respondo que com o tempo irás perceber. E eu explico-te, agora e assim desta forma, que esse olhar tenta transmitir o que realmente sinto por ti. Não o traduzo em palavras por ter medo ou por ser cedo ainda, não sei…
E fico assim, só a olhar para ti… à espera que possas sentir o que isso é e que percebas que o que sinto por ti é maior do que imaginas.


14 maio, 2011

Tribute to the Legend




Terrakota




Groundation


@ Coliseu dos Recreios

13 maio, 2011

Cooler than me...



If you're cooler than me, doesn't that make me hotter than you? If you're hotter than me, doesn't that make me cooler than you? They say I'm cooler and hotter!...
 





11 maio, 2011

Ain't no sunshine when you're gone...

Como é que nos libertamos das amarras de um passado que não é assim tão distante? É difícil apagar as memórias e as marcas do mal que nos foi feito. É impossível contornar todas as desilusões, todas as traições, todos os maus tratos emocionais. É difícil voltar a confiar. Não podemos fugir e esquecer o que faz parte da nossa história, o que bem ou mal faz parte de nós.
Estão presentes as sombras do passado que nos escurecem e atormentam o presente.
Por mais que tente, não me consigo afastar desta sensação estranha que corrói, que deturpa e que destrói. Que deforma e me consome e me confunde. Que me engole e me turva o raciocínio. Que me impede a visão e me priva o olhar como uma venda. Que desfoca irreversivelmente. Que me cega e que me enerva. Que me amarra e me mantém nesta escuridão. Que me prende nesta sombra. A sombra da tua ausência…







Forever Jammin'





In loving memory of Robert Nesta Marley
(1945 - 1981)


08 maio, 2011

Laying on the grass...



@ Buddha Eden - Jardim da paz 


05 maio, 2011

... love feelings...




E é então que ele diz que tem uma sensação estranha no estômago.
Estranha, mas boa...










... e eu só posso sorrir e agradecer por tamanha sinceridade.





We stood steady as the stars...

04 maio, 2011

A Asma da Saudade...

Nunca pensei que fosse assim. Ninguém me disse que era assim.
O medo confunde-me o pensamento e sinto que me estou a perder nesta dor que parece não cessar. Uma ansiedade apoderou-se do meu corpo como um vírus letal e, por vezes, pergunto-me se já não terei morrido.
Tudo aquilo por que lutei e em que acreditava desvaneceu-se sem que eu o pudesse evitar. Uma asfixia agonizante faz-me agir de modo diferente àquilo que sou e que realmente me compõe.
Perdi tudo o que tinha e estou sozinha pela ausência de um ser superior que me diziam acompanhar. Será que vale a pena continuar?

É tudo uma ilusão, porque na verdade nada subsiste a não ser na nossa memória e nos nossos corações. Porquê entregarmo-nos às coisas que sabemos que nos vão fazer sofrer? E choramos pelo inconformismo de sabermos que o tempo não recua e que jamais desfrutaremos da companhia daqueles que perdemos e que eternamente amamos.
Sentimos um nó na garganta e revoltamo-nos... Odiamos tudo e todos: as pessoas, os animais, as árvores e o céu e as nuvens. Odiamos o ar que respiramos, porque custa a fazê-lo quando se está sozinho.

Quero vomitar... toda esta agonia que em mim habita e não me pertence.
Quero dormir... e anestesiar os meus medos e tristezas.
Quero inventar... a força que não possuo.
Quero respirar... sem que me doa a alma.

Parece que queima por dentro. Respiramos fundo incessantemente na esperança que esta dor no peito seja expelida juntamente com o ar. E, quando pensamos nos que perdemos ou nos que ainda vamos perder, há uma força maior que nos atinge e que nem sequer nos deixa respirar. É a asma da saudade...

Tentei encontrar a força em coisas que sabia inúteis de modo a afastar a dor. Olhares profundos e reprovadores trespassam a fronteira do meu corpo e percorrem as entranhas até atingirem a alma, ferindo-a como um punhal que escava lentamente o meu sepulcro ainda desabitado.
Nunca pensei acabar assim. A força que dizia possuir abandonou-me por completo.
Espero assim por dias de sol em que o mar seja a minha companhia e que um sorriso breve possa surgir sem receio…


Magoito After Light

Por diversas vezes durante o dia de hoje, pensei em fugir daqui. Queria afastar-me do mundo real. Queria ir ver o mar, parar um pouco e respirar fundo.

Sentiste que alguma coisa não estava bem, adiaste o que quer que fosse que tinhas para fazer e vieste-me buscar.
Entrei no carro e durante muito tempo fiquei sem saber se tinhas destino certo ou se rumavas sem direcção. Não me importei sequer. Qualquer sítio longe daqui para mim estava bom. Não sei sequer do que queria fugir, talvez apenas de mim própria.

Quando começámos a descer a colina, avistei um mar imenso à minha frente. Tão extenso que quase podia prever a curva da linha do horizonte. Para mim, aquilo teria bastado. Mas tu continuaste, pois querias mostrar-me um dos teu lugares preferidos para ver o pôr-do-sol. Chegámos tarde, mas valeu a pena.
Descemos até à praia, escolhi um spot e sentámo-nos de frente para o mar. A premência em te abraçar era mais que muita.
Ficámos ali minutos incontáveis até a noite cair. Conversamos entretidos pelos pirilampos que brincavam despreocupados e contemplámos o céu, rasgado por uma única estrela cadente.
Um dia que parecia perdido, revelou-se num momento único, que ficará na nossa memória.
Thanks for make it worthwhile!... J


03 maio, 2011

Game Over!

Não tenho por hábito publicar textos demasiado específicos. Mas, no seguimento de uma conversa em que me diziam que tenho uma escrita demasiado intensa, pediram-me para mostrar algo que fosse realmente agressivo. Escolhi este texto que estava guardado, mas que ilustra bem os maus sentimentos que por vezes também fazem parte de mim. Segue então algo que foi escrito num vómito...





A vida não é como tu pensas. Ou, aliás, eu não sou como tu pensas.
Pões e dispões de mim como e quando queres. Hoje apetece-te e é bom, amanhã julgas que me tens na mão e desprezas-me. Depois vens e solicitas a minha atenção, como se eu tivesse que me mostrar sempre disponível. Não é assim. Pode ter parecido ser assim no passado, pois estava fraca e precisava da tua presença para me sentir bem. Hoje não me és imprescindível. Por isso, se me queres, tens que lutar por mim. Se é apenas uma queca que procuras, então esquece. Procura então outra pessoa, como o fizeste tantas outras vezes. Ficas triste, porque comigo é mesmo bom e disso não tens a menor dúvida. Mas não se pode querer ter tudo e, quando se quer muito muitas coisas ao mesmo tempo, há sempre algumas que ficam pelo caminho. Algumas que escapam por entre os dedos. E quando olhas para trás, percebes que te eram realmente essenciais, importantes para o teu bem-estar, para a tua sanidade mental.
Procuras recuperá-las e percebes que não será assim tão fácil. Questionas-te mesmo se não será já tarde demais. Mas não sou eu que vou responder a essa pergunta. Se queres muito, luta. Terás que fazer por merecer aquilo que no passado te foi dado de mão beijada. Aquilo a que, só agora depois de o teres perdido, consegues dar o devido valor. Consegues perceber do quanto precisas disso. Aquilo que já tiveste vezes sem conta e que desprezaste outras tantas vezes.
Pois para mim chega! Estou cansada deste sim e muito, mas só de vez em quando… Deste quero-te tanto, mas só durante um bocadinho… Deste preciso tanto de ti, porque destronaste todas as outras, como se isso me fizesse sentir bem. Como se fosse um prémio, depois de submetida a tantas comparações.
Sou a melhor sim, de todas as que já tiveste e ainda terás. De todas as que repetes ou que descobres e em quem tentas sempre encontrar um bocadinho de mim. Em vão… Sabes bem que me perdeste. E sabes ainda melhor que a culpa foi tua. Crucificas-te por isso. O sabor amargo que sentes na boca é o sabor da derrota a que nunca te habituaste. Pois aprende que a vida também é constituída de derrotas. Aprende com isso para que possas ser uma pessoa melhor. E aprende essencialmente que eu sou a tua maior derrota. Vive com isso, porque me perdeste!

Walls & Masks

Há dias em que acordamos com um estado de espírito diferente. Parece que paira uma nuvem negra sobre a nossa cabeça e que se adivinha um mau presságio. Há dias em que estamos mais sensíveis e que, à mínima coisa, surge a vontade de chorar. Sabemos que é um exagero e que é um rol de reacções enfatizadas, mas não nos conseguimos afastar nem libertar dessa tristeza que nos invade e que veio para ficar.
Sinto um aperto no peito. Um peso que vai e vem e que não me deixa respirar bem. Um sentimento inexplicável que traz consigo o cheiro da perda.

Relembro tudo o que já me disseste e que me fez sorrir. Desejo que algumas dessas palavras tivessem sido ditas da boca para fora ou em forma se cliché, desejo que não tivessem sido proferidas com tal sinceridade. Se assim fosse, não as teria acreditado, nem teria sentido o seu impacto. Dizes e fazes tudo bem. Isso assusta-me. Podes falhar de vez em quando? Seria mais fácil para mim, pois permitir-me-ia acreditar que isto é real, uma vez que a perfeição não existe.
Não me posso apegar a isto desta forma, pois a distância dói e ainda é demasiado cedo para isso. Chega a ser ridículo. É por isso que sei que é apenas uma ilusão. Reconheço-o.

Tenho que voltar a erguer os muros, tenho que voltar a pôr a máscara, para me proteger atrás de todas estas barreiras ilusórias.
Pedes-me para não o fazer, para me deixar levar e dizes que esperas o tempo que for preciso… Mas tu não tens noção da força do meu amor, não tens noção da dimensão que pode atingir. E com certeza não queres isso para ti. Por isso, permite-me algumas reservas, permite-me que me entregue aos bocadinhos e só de vez em quando. Porque isso permite também que eu te proteja a ti. Evita que eu te magoe. E a última coisa que quero é magoar-te – e isso sim é uma prioridade e uma certeza que prevalece.



Bitter Sweet Memories




02 maio, 2011

Passeio Nocturno





À noite, ele passeava pelas ruas estreitas e sombrias da cidade. O leve aroma da maresia trazia de volta os dias de Verão. Era invadido por reminiscências de outros tempos em que podia ser quem quisesse.
Ao fundo, captava uma música estranha e hipnotizante que guiava os seus pensamentos. Sorria, sentindo-se reconfortado com tudo o que tinha. Caminhava lentamente, respirava fundo como se apreendesse cada pormenor do que o rodeava. Ouvia todos os sons, sentia todos os odores, sentia a temperatura dos outros corpos. Era como se pudesse aceder a todo o mundo apenas naquele momento, apenas naquele lugar. Os seus pensamentos eram um conjunto de palavras e de sensações que bailavam na sua cabeça em sinestesias intermináveis.
A Lua lá no alto, tão indiferente, parecia que lhe sorria em cumplicidade. O Céu, negro de tão escuro, cobria toda a cidade, envolvendo-a num gesto de ocaso.
Ele sentava-se, encostava-se para trás e podia ficar ali um sem número de tempo, acedendo a um sem númeno de consciência ilusória de ser.
Essa atitude de sair para a rua à noite podia ser algo frequente, como podia acontecer por mero acaso. O calor subia então pelo corpo, os seus pés quase descalços, a roupa que ia pesando na pele, a respiração que se tornava mais profunda.
O burburinho que se fazia notar, vinha e desaparecia com a mesma rapidez. Por vezes, tentava captar partes de conversas e, observando os que passavam, ficava a tentar adivinhar como seriam as vidas de tais criaturas. Depois, rapidamente se esquecia de tudo e os seus pensamentos saltitavam daqui para ali. Não havia mais ninguém, era um momento só dele. Onde se sentia completo, por não ter de pensar em mais nada.
Ao longe, começava então a surgir a luz desconfortante da realidade e decidia que era hora de voltar. Inspirava profundamente e, no movimento inverso, expelia a noite e acolhia a claridade da vida banal.



Apple Tree







Mother's Day