28 dezembro, 2011

Nonsense

Quero-me perder durante muito tempo. Talvez o tempo suficiente para nem saber voltar.
Quero fugir daqui, de todos, de ti… E ver-me livre de tudo. Ficar de mãos vazias, para não ter nada com que me ocupar, nada para me distrair.
Vou-me perder por aí… ir onde ninguém me conhece, ou me julga sequer. Não haverá preocupações ou cuidados com quem quer que me cruze. Nem sentimentos de espécie alguma. Apenas sensações. Toque. Cheiro. A anestesia mental que se encontra no fundo de um copo. O desligar de qualquer sentido de realidade. O prazer de correr um risco. O desprezo pelas aparências. O viver de uma ilusão.
Vou-me despir de todas as camadas com que me fui cobrindo, para agradar a este ou àquele, porque era conveniente para a ocasião. Libertar-me de gestos bonitos e sorrisos por encomenda.
Quero respirar fundo muitas vezes e expelir pelas ventas o que não me pertence, para ter espaço para mim e para os meus eus, expulsando os que devo abandonar por não serem merecedores de qualquer lugar em mim.
Quero fugir do mundo e da humanidade que me repugna. Vaguear pelas ruas e não falar com ninguém. Fazer aquilo que tiver que ser feito naquele preciso momento, mesmo que pareça não fazer qualquer sentido. Não me preocupar com as consequências de qualquer acto. E que o meu limite esteja sempre para lá do que vislumbro.
E, na minha cama, quero dormir durante muito tempo e acordar a sorrir sem razão aparente. Quero coisas sem sentido e, acima de tudo, quero não pensar em coisa nenhuma.



25 dezembro, 2011

Free me


Tenho que te libertar das amarras deste amor que não é nada. É apenas uma espécie de possessão sem sentido. Quero-te perto, mas não te quero para mim. Quero a atenção e o carinho, mas não quero proximidade física. Não quero perder a nossa amizade, mas não quero a forma como ma dás. Não quero esse sentido de exclusividade. Não sei lidar com isso.
Por isso é que digo que entendo aqueles que não se querem comprometer, que têm medo de se prender a uma relação. Não quero compromissos. Não tem a ver contigo. Apenas não quero essa ligação com ninguém. Há poucas pessoas que entendem isto, mas as que entendem, entendem-no muito bem.
É muito estranho realmente. Não peço compreensão, apenas respeito.
E tomo a decisão de te libertar. Mesmo que isso te possa fazer sofrer. Mesmo que isso me possa fazer sofrer. Talvez os outros me sigam o exemplo. Talvez não.
Espero pelo menos eu conseguir fazer vingar o que agora escrevo e não permitir que haja mais sofrimento e confusão emocional.










24 dezembro, 2011

Dá-lhe agora que é de noite!!!

22 dezembro, 2011

11 dezembro, 2011

enigmatic yearning of the soul

We all experience within us what the Portuguese call ‘saudade’, an inexplicable longing, an unnamed and enigmatic yearning of the soul, and it is this feeling that lives in the realms of imagination and inspiration, and is the breeding ground for the sad song, for the love song. Saudade is the desire to be transported from darkness into light, to be touched by the hand of that which is not of this world … The writer who refuses to explore the darker reaches of the heart will never be able to write convincingly about the wonder, magic and joy of love, for just as goodness cannot be trusted unless it has breathed the same air as evil, so within the fabric of the love song, within its melody, its lyric, one must sense an acknowledgement of its capacity for suffering.

Nick Cave, ‘The Secret Life of the Love Song’


09 dezembro, 2011

08 dezembro, 2011

Love is a losing game


Quando tudo acaba, sentimos sempre que perdemos uma parte de nós. Uma parte da nossa alma que foi levada e que jamais voltará. Pedaços que ficam pelo caminho, apenas recordados em fragmentos de memória do que um dia nos fez feliz. Despedaçados por mãos alheias... sentimentos irrecuperáveis. 
Apesar da mágoa que se aloja no peito, olhamos para longe, na esperança que o horizonte nos traga uma espécie de conforto. Mas o que sentimos não se apaga com palavras melodiosas ou com gestos de retorno demasiado tardios. Tudo se perdeu e fica um vazio, um vácuo interior com que não sabemos lidar. Frio. Uma espécie de morte, um estranho sentimento que nos faz chorar por dentro e sentir que jamais voltaremos a ser quem fomos. O amor é sempre uma aposta perdida...








1Take.TV: Ky Oshi (Love is a losing game) por 1TakeTV

Para ti, Pekie...

02 dezembro, 2011

Video Games


Quando se gosta da música, mas não particularmente do vídeo... Eis que aparece o meu músico preferido da actualidade com a cover perfeita.
Obrigada, Ben!


30 novembro, 2011

Garlic nan & a smile

Hoje não me apetecia ficar em casa.
Passei o dia à espera da confirmação de um jantar com mensagens infrutíferas. Não queria entregar-me ao conforto do sofá como os habituais programas de tv como companhia.
Apesar do esforço, anunciava-se um serão igual a tantos outros. Porque, embora amanhã seja feriado, para mim é dia de trabalho.
Eis que me ligas e surge o convite inesperado. Olá! O que vais fazer? Nada. Vamos jantar? Vamos.
Sugeri o indiano perto da minha casa. Concordaste de imediato. Natural. Simples.
Não te via há mais de 6 meses, mas é como se tivesse estado contigo ainda ontem. Porque entre amigos é mesmo assim.
Falámos sobre ti. Sobre mim. Sobre viagens, literatura. Sobre outras culturas. Relembrámos coisas antigas e sorrimos em simultâneo.
Obrigada pela companhia e pelo jantar. Obrigada por estares aí da mesma forma. E essencialmente obrigada por seres meu amigo, desse teu jeito tão genuíno. Já me deste força em momentos tão difíceis… jamais irei esquecer.

O abraço final e o elogio que o acompanhou…

Resta-me desejar-te boa viagem ao encontro da Yoko e que Paris seja o início de uma bonita história.
Cá te espero, na alma de Lisboa. Com o mesmo sorriso…



27 novembro, 2011

De Lisboa à Lousã


Onde a serra acaba e o céu começa...


18 novembro, 2011

Boa Viagem


See you in 27 days...



12 novembro, 2011

Logo à noite - Legend

A pele que há em mim...



Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou

O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
O sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim

Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já nem sinto o sabor
A suor, a pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor

Já não quero saber

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada
O meu barco vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala...


Jardim da Paz

Este é o sítio onde gostava de voltar. Para sentir de novo a paz que me proporcionou. Sentir-me leve de novo e respirar fundo como o fiz lá no passado. Um passado recente.
Caminhei entre os budas e as estatuetas de pedra. Sorri e amei. Genuinamente.
Hoje, as figuras de terracota desfazem-se por entre os dedos. Os sentimentos que se diziam tão fortes são levados na brisa por entre as oliveiras dispersas... E no centro do lago, onde outrora surgiram juras de amor, as promessas afundam-se e os sorrisos amargam. E os abraços esquecidos lá longe, continuam onde foram deixados... quais estátuas petrificadas. Não consigo recuperar a doçura do olhar, pois nem o sal surge para eu desfazer.
Queria acreditar nalguma coisa, numa réstia de emoção. Mas a ilusão caiu e nada mais fará voltar o que afinal nunca existiu.
Resta-me abrir os olhos e acreditar no que é real e possível e não no ilusório, e não naquilo que eu desejei ter sido. E resta-me recuperar a paz perdida. Aquela que tinha antes das ilusões. A que construí sozinha, a olhar para dentro de mim, reconhecendo-me. Por mim, para mim. Agora e para sempre... em paz.



11 novembro, 2011

10 novembro, 2011

Aqui...

E é então que te digo que hoje estou um pouco angustiada. E tu vens e mais uma vez dizes que estás aqui para mim. E eu digo-te que dói partilhar o que sinto e que não quero passar isso para ti. E tu dizes que não faz mal, porque és forte e que aguentas mais do que a tua dor. E que suportas isso por que é meu, porque sou eu, porque é a minha dor. Tocas-me com as tuas palavras. Emociono-me, porque és muito parecido comigo na forma como sentes as coisas.
E é então que apareces devagar, com um ar exausto, mas com força suficiente para ainda me dar um abraço. Nada me exiges.
Tens os olhos mais meigos… E olho-te sem que te apercebas enquanto contas uma banalidade qualquer. Sinto que não estás bem. Embora me digas o contrário. Já nem sentes nada, porque vives já num estado de dormência. Habituaste-te a essa amargura.
E apetece-me envolver-te com os meus braços e ficar assim… para te proteger, para afastar a tua dor ainda que por breves momentos. Para que pelo menos não a sintas no momento em que estás ao meu lado. Para que sintas o conforto que procuras, para que possas descansar um pouco, respirar fundo e não pensar em mais nada. Para que te possas abandonar, porque sabes que aqui ninguém te faz mal.
Não o faço. Deixo-te ficar à distância de um toque, no respeito por mim, por ti e por outros. Para vingar as promessas que fizemos. E deixo-te ir, tão devagar quanto vieste, e fico aqui na esperança de te poder ver brevemente. 




09 novembro, 2011

A winter song...



And I don't wanna beg your pardon
And I don't wanna ask you why
But if I was to go my own way
Would I have to pass you by?




B. J. H. @ Paris

02 novembro, 2011

The Lamp



Aqui onde estou é muito frio e húmido. É um lugar terrível onde ninguém devia estar.
Há pouco tempo, alguém acendeu uma luz lá ao fundo. Uma luz trémula, amarela, quase imperceptível de tão fraca. Foi iluminando este canto onde me encontro agachada, de cócoras, escondendo a cara entre as mãos. Foi-se estendendo e a custo permaneceu.
Hoje, esse mesmo alguém trouxe um pau e partiu a lâmpada com violência e indiferença. Essa lâmpada que ainda iluminava os meus dias. E ficou tudo escuro de novo. Nem os pirilampos parecem reflectir o seu brilho. Voaram para longe, para um lugar mais quente, mais acolhedor.
O frio gela-me até aos ossos. É um frio que vem de dentro e me gela até à alma… e me deixa assim, sem saber reagir. Lágrimas salgadas escorrem-me pela face e não as consigo evitar. É demasiado. Já não as consigo deter por mais tempo. Tenho que as soltar para libertar a pressão que sinto e que tento disfarçar.
Só assim amanhã poderei acordar para mais um dia e estoicamente cumprir os meus deveres. Só assim poderei sorrir e mascarar o que não me deixa respirar bem. Para que ninguém repare, pois não preciso de compaixão. Preciso sim de abraços apertados e sorrisos sinceros que surjam gratuitamente como reacção àquilo que sou e que dou, e não como consequência do que agora estou a viver.



... e é então que outra luzinha pisca e apareces assim, quase sem querer e sem ter noção das tuas palavras, e dizes:
"Eu não preciso de saber! Posso-te abraçar e oferecer o meu ombro... E podemos ficar em silêncio. E sim! És mais bonita quando sorris..."



31 outubro, 2011

Trick or Treat?...



Happy Halloween!



24 outubro, 2011

Happy Birthday, Little Badger!

Muitas vezes estive aqui para ti. Outras tantas estiveste cá para mim. É por isso que, apesar de seres tão diferente de mim emocionalmente, eu recorro a ti quando o meu coração se sente magoado. Repreendes-me e eu sei que tens razão, porque nem sempre sei tomar conta de mim. Nem sempre me sei proteger  e atiro-me de cabeça. E tu conheces-me e abraças-me. Tratas-me com ternura e aquilo que sentes não se esconde. Não nessas alturas. Não comigo, porque sabes que te conheço também.
De vez em quando discutimos, dizemos o que temos a dizer na cara um do outro e fica tudo bem, porque sempre foi assim e é assim que deve ser. É assim que funcionamos.
Gosto muito de ti, por tudo aquilo que és. Obrigada por estares aqui, pois "só depende de nós".

32 aninhos! Venham mais... Muitos Parabéns, Texuguinho!

18 outubro, 2011

The Fall

O Outono começa a aparecer em vestígios de folhas caídas, lentamente e em espiral, arrastadas pelo vento que já se faz sentir. Sopra devagar por entre os últimos raios de sol. Mas o frio custa a chegar, só esperando que o calendário se adiante para se poder mostrar com maior expressão. 
Os dias começam a ficar menores e a luz escasseia. O sol já não sorri da mesma forma. Os sorrisos já não surgem com a mesma vontade.



Enquanto não calhar a todos:


16 outubro, 2011

11 outubro, 2011



Faz amanhã dois anos que nos deixaste. Ainda não consegui habituar-me à tua ausência. Não há dia nenhum em que não me lembre de ti ou em que não te veja no rosto de alguém. Ainda relembro o pormenor das tuas mãos, a doçura do teu sorriso e o brilho do teu olhar. Ainda ouço a tua voz de menina. Ainda te pressinto, porque sei que olhas por todos nós.
Ainda me custa a respirar pelo nó que se forma na garganta cada vez que penso no que aconteceu... cada vez que tento entender o porquê... sempre sem repostas.
Acho que ainda não consigo aceitar, pois a dor é demasiado grande para encaixar na forma da tua morte.
Espero poder reencontrar-te um dia... até lá relembro-te nos teus lugares preferidos.







04 outubro, 2011

Under water thoughts

Nadei na escuridão do teu pensamento...
Senti a tua dor e as tuas frustrações. Talvez por sermos demasiado parecidos. Talvez por termos dores semelhantes ou apenas por andarmos à procura da mesma coisa.
Sentes-te preso aos compromissos que te consomem e te inibem de seres tu prórpio. Sentes-te sufocado nos teus dias ausentes de liberdade. Preso a quem já nada te dá. Cresce a revolta e o desespero. Tens medo. Medo de tudo à tua volta, medo de ti. Medo do que possas fazer se um dia perderes o controlo.
Sentes-te perdido e sem forças. Afastas-te por uma noite. Deambulas sozinho pelas ruas da cidade. Cigarros, alcóol e um livro de poesia são a tua companhia. Libertas-te durante algumas horas e sorris. Mas de nada vale... está lá tudo na mesma. Da mesma forma, com o mesmo sabor amargo.
Na manhã seguinte, volta a rotina dos dias: as discussões, as obsessões, a possessão. O controlo exagerado que só te faz querer desaparecer dali. Fugir para outro lugar longe de tudo, longe de ti.
Mas ao invés, ficas e envolves-te cada vez mais num mundo de frustrações e infelicidade. Não consegues sair daí, estás demasiado enredado.
Tenho medo que seja tarde demais e que com o tempo te venhas a tornar uma pessoa amarga. Que deixes de acreditar no amor. Que percas os teus amanhãs e que te refugies onde outrora nadei...


02 outubro, 2011

Outubro Passado



Está a chover. Esteve assim o dia todo. Da janela apenas vejo as copas dos pinheiros mansos e a planície alentejana que se estende e se entende até tocar no horizonte.
O céu está carregado de nuvens espessas quase negras que vomitam uma luz branca que nos cega de tão forte.
A chuva cai oblíqua e hidrata os pastos secos pelo Verão. Da esquerda para a direita, como se de uma forma grave quisesse acentuar o meu estado de espírito.
As nuvens rasgam o céu tornando-o cada vez mais negro, querendo forçosamente afirmar a chegada do Outono. Quase que custa a acreditar que os dias de sol nos deixaram… Ainda ontem o sol raiava em força e o teu sorriso era gratuito. Sentiam-se ainda os corpos quentes e sedentos de uma aproximação, de um toque demorado.
Ainda ontem contemplei o último pôr-do-sol. O mais bonito. Digno dos céus em que habita e a fazer-se notar em todo o seu esplendor, ainda que em jeito de despedida.
A chuva bate agora na vidraça com maior força, parece querer chamar a minha atenção. Olho então pela janela e confirmo a aproximação do Outono e do tempo frio. A aproximação de olhares vazios promovendo a ferrugem dos sorrisos.
Parou a chuva. Parou o vento. Eis a suspensão meteorológica. Parou o tempo neste quarto frio e húmido.
Alguém deu umas pinceladas azuis no céu e o sol espreita envergonhado fazendo reflectir as gotículas de água que dançam na sama dos pinheiros.
As casas brancas e alguns cavalos dispersos pastam alheios a tudo desprovidos de qualquer preocupação.



27 setembro, 2011

Webcam 101 for Seniors....

Quinta dos Frades by Chakall


Um jantar romântico,
roupa aprumada,
vinho tinto,
conversas fluídas
e a melhor companhia.

24 setembro, 2011

Nevermind


20 anos depois... 

23 setembro, 2011

20 setembro, 2011

Hoje...

Hoje, aproveitei a minha hora de almoço para escrever um pouco. Algumas reflexões apenas. Fui interrompida por diversas vezes. Começo a achar que existe uma certa atracção, uma espécie de curiosidade, porque aparece sempre alguém que questiona o que estou a fazer e pergunta em tom depreciativo se se trata de um diário. Não, não é um diário. É uma carta de amor, respondo. E assim se afastam, ficando a dúvida inicial.
 
 
Hoje, senti que estavas com uma vontade imensa de falar, de desabafar. De partilhar qualquer coisa que te incomoda há já bastante tempo. Não me conheces, apenas trocámos meia dúzia de palavras e confesso que por vezes dou por mim sem me lembrar do teu nome. Tens sempre um sorriso para oferecer. Não sei o porquê, nem mesmo se é sincero. Não estou habituada a isso, a sorrisos sinceros e gratuitos. Infelizmente, habituei-me a desconfiar disso. Mesmo assim e por sentir que ia valer a pena, deixei-te avançar na minha direcção e ouvir o que a custo ias acabando por revelar. Pormenores muito pessoais da tua vida. Continuo sem perceber o porquê de o teres feito comigo, uma pessoa que mal conheces. Mas simultaneamente, sinto-me recompensada por teres confiado em mim, por teres percebido que eu posso guardar os teus segredos.
Entregaste-me um texto teu. Li-o com todo o respeito e carinho. E senti-me identificada com algumas das tuas palavras, por já ter vivido a tua história demasiadas vezes. É triste. E como diria Miguel Esteves Cardoso, “o amor é fodido”. Pois é. E de que maneira.
Não tenho palavras de conforto. Nenhuma delas vai alterar o que pensas ou o que sentes, nem é esse o meu intuito. Apenas te quero dizer que gostei do que li e da simplicidade com que foi escrito. Continua. Cria um blogue, como eu o fiz. Vais ver que te vais sentir melhor. Talvez ele um dia possa ler as palavras que lhe foram dirigidas.
 
 
Hoje, sorri tentando esconder as lágrimas que teimavam em querer saltar cá para fora, quando ligaste para a tua Mãe. Perguntaste a sorrir se estava no céu com o São Pedro e pedias que trouxesse bom tempo, como quem dá um recado. Uma boa cunha realmente…



Keep your head on

Os dias vão passando e tudo permanece igual. Continuamos à espera que algo aconteça, algo que mude significativamente as nossas vidas, mas tudo se mantém no mesmo lugar.
Parece que estamos constantemente à procura de uma coisa qualquer, à procura de algo que parece que faz falta, mas nada parece surgir, nem mesmo num horizonte longínquo.
Às vezes, parece que a vida se desenrola à parte de nós, que somos apenas fantoches fadados a cumprir a rotina do dia-a-dia. Vemos algumas coisas a acontecer a algumas pessoas. Continuamos a lutar, a procurar essa mudança para nós, mas o destino continua a bloquear-nos a passagem e a não nos deixar aceder a outras realidades, a realizar outras possibilidades.
Parece que ficamos esquecidos num canto qualquer, ou apenas depositados numa prateleira para o caso de ser necessário. Como umas correntes de neve num país tropical.
Mesmo assim e em vez de nos deixarmos de importar, continuamos nesta busca incessante. Nesta sede de alcançar algo desconhecido. Talvez faça parte da natureza humana, talvez seja isso que faz de nós pessoas melhores. Ou talvez não. Talvez sejam apenas desculpas ou uma espécie de artimanha em jeito de auto-defesa que o nosso cérebro impõe para nos manter a mente sempre ocupada com qualquer coisa. E aquilo fica ali… sempre a picar o miolo. Como uma coisa que não aquece nem arrefece e que, certamente, nunca se resolve. Algo que incomoda como um aguilhão, mas sem a qual não podemos viver.
Talvez devêssemos parar de procurar o que quer que seja onde quer que esteja. Talvez devêssemos somente encontrarmo-nos a nós mesmos. Encarar o que somos e, mesmo que não gostemos daquilo que vemos ou que não esteja ao nosso alcance alterar o que quer que seja, o importante é olhar em frente e não ficar na sombra das mágoas de um passado. Acima de tudo, manter sempre um certo sentido de realidade para evitar dispersões. Organizar ideias e traçar objectivos simples e concretos. Tentar perceber o que realmente é importante, perder tempo com isso. Para que, consequentemente, possamos ganhar outras importâncias que não se obtêm com dinheiro algum. Tentar sair deste estado de dormência e viver mais acordados, durante maiores espaços de tempo. Desfrutar do que nos é oferecido sem olhar para trás e sem tentar sequer antever o que nos espera. Tentar sorrir mais vezes… Fortalecer o coração.





13 setembro, 2011

07 setembro, 2011

06 setembro, 2011

Zacarias


Hoje é o dia dos Zacarias.
Aqui vai uma homenagem para o único que conheço.


Avante 2011!


Mais um festival a repetir.
Boa música, muitos copos e pessoas genuínas.
Obrigada por me teres levado J

02 setembro, 2011

Avante, aí vou eu!


Pela primeira vez na vida, vou comparecer na festa do avante!


The Truth



For dark times, dark songs... with good videos.
Dedicated to the lost souls who need to be rescued by love...


31 agosto, 2011

Parabéns, eléctrico!



Hoje é o 110º aniversário da primeira linha de eléctricos em Lisboa e, como não podia deixar de ser, o Google dá os parabéns a um dos símbolos da minha cidade. J

30 agosto, 2011




Bazinga!






Mind as well be blind


O lugar onde agora trabalho nem sequer tem janelas. As paredes são cinzentas, o tecto é cinzento e o chão é cinzento. A luz é artificial. O trabalho é monótono, mecânico. Chega a ser estupidificante. As faces espelham o conformismo. O hábito impera e ninguém se apercebe da realidade lá fora. As expressões sem vida, apodrecidas. Os olhares baços e inertes. Vive-se à parte do mundo.
Nunca sei se está sol ou chuva. Se é de noite ou de dia. Talvez o mundo tenha acabado lá fora e eu nem me tenha apercebido.
Resta-me concentrar-me na ideia de que a vida começa às dezoito horas. Até lá fico aqui nesta dormência de pensamentos, nesta ausência de luz. Nesta castração de raciocínio quase sufocante.
Só me apetece dormir. Não seria muito útil, mas certamente mais gratificante. Pelo menos partilharia os meus sonhos, ao invés deste marasmo incolor.

25 agosto, 2011

24 agosto, 2011

Mata na baía da vila


Para todos os que se queriam juntar a mim amanhã.
Vanessa da Mata, Baía de Cascais, 22h


21 agosto, 2011

17 agosto, 2011

If you just could listen

Sinto que não consigo chegar a ti.
Surgem palavras em tom de brincadeira, depois frases que se coordenam, discursos complexos e conversas intermináveis. Há um esforço imenso para chegar a ti, uma tentativa nesse sentido. Sem resposta. Ou apenas palavras soltas, assentimentos. Possíveis confirmações de que o que transmito chegou clara e distintamente. Será?... Assimilação. Reflexão. Monólogo - discurso em via de sentido único. Para que serve isto? Não sei. Para nada é a resposta mais acertada. Não serve para nada. Surgem sentimentos de impotência, de frustração. Foi tudo dito. No entanto, fica aquele sentimento de algo inacabado. Uma sensação de que o círculo não ficou fechado. A poeira assentou, mas não foi possível colocar uma pedra sobre o assunto. Uma estranha sensação de supense. Mais estranha ainda por que sei que nada vai acontecer. Não há espera, mas a permanente sensação de ausência. Parece que falta alguma coisa. Porque efectivamente há alguma coisa que faz falta. Ou neste caso que me faz falta apenas e só a mim. E então, tudo termina. Fechamos o capítulo e segue-se em frente. Conformo-me? Contento-me? Resigno-me? Nem sei. Estou cansada demais para continuar a reagir. Vou esperar e tentar encontrar uma alternativa ao discurso. Talvez me possas ouvir de uma outra forma, num outro registo.

Sinto que não consigo chegar também a ti. 
Faço repetidas tentativas, mas não te consigo alcançar. Respondes e até parece que está tudo bem, mas no fundo sinto que não está. Insisto. Nada acontece. Estranho. Indícios que vão surgindo que realmente se passa qualquer coisa, ou então não se passa nada e esse é o problema. Faço uma tentativa maior ou melhor de proximidade. Mais uma vez, nada. Vou continuar a tentar. Talvez também num outro registo.

Posso concluir então que as falhas de comunicação surgem repetidamente. Em vez de olhar em volta, tenho que passar a olhar para dentro de mim. Fazer uma espécie de introspecção. Tentar encontrar os meus erros. Assumir isso e corrigir-me. Pôr a alma na revisão. Pode ser que consiga chegar a mim. Porque só assim pode ser que me consigas ouvir. Que te consiga alcançar e dar-te finalmente a mão. Para que percebas que estou aqui e que podes contar comigo. Sempre. Porque não quero caminhar sozinha, porque só assim faz sentido.




11 agosto, 2011

Next door neighbor

Após um dia cansativo em que todos os objectivos foram cumpridos, chego a casa e sou surpreendida pelo som que se escapava pela janela de um vizinho. Algo familiar que foi entrando lentamente, foi flutuando...




... e logo esta música que tão bem se aplica aos dias de hoje!


10 agosto, 2011

Back to square one



E agora é voltar ao início. Voltar para o mesmo lugar de onde vim. Esperar não ficar por lá muito tempo. Pelo menos não tanto quanto fiquei da última vez. Continuar à procura de algo melhor.
Rever algumas caras, encarar alguns hábitos. Entrar na rotina. Processar e processar. Voltar a fazer o meu melhor.
É um pouco ingrato, mas dada a conjuntura, não me posso dar ao luxo de ficar na inércia…
Por isso, é estampar um sorriso no rosto, erguer a cabeça e voltar.


06 agosto, 2011

blind spot

Sim… Estou sempre na tua mente, mas nem sempre da mesma forma. E por vezes sou desviada para um canto tão recôndito da tua consciência que nem dás por mim. Fico no ângulo morto do teu pensamento. Estou mesmo ali, mas não me vês, não me ouves, não sentes sequer a minha presença. És desviado por maiores atenções, menores intenções, pelas luzes e pelo brilho. Ficas embriagado pelas inclinações e nem te apercebes que as coisas também a ti te escapam por entre os dedos.
As horas passam e o silêncio toma conta do meu mundo. É um vazio que não me pertence, uma sensação estranha que tento afastar. E que, apesar de tudo, a reconheço por já me ter atropelado tantas vezes. Vezes demais…
Afinal, estás aí, mas não estás. Vejo-te a ti, sinto-te e sei-te de cor.
Vou fugir daqui, deste espaço de ninguém. Deste silêncio que destrói e me consome. Vou erguer-me num repente, de esticão para não custar tanto. Vou agir como quando estava sozinha, pois foi assim que te apaixonaste por mim. Não me quero anular, como no passado. Recuso-me a viver na sombra… mesmo que seja a tua. Vou caminhar e, dizer como dizia antes, quem quiser que me acompanhe.
Não quero viver numa mentira, por mais bela que seja.
E um dia que espreites, porque alguma coisa me trouxe de novo à tua memória, pode ser que tenha desaparecido e não exista mais no teu ângulo morto…

PS. Or maybe I'm just too close for you to see me...

And than he said...



... you are always on my mind


03 agosto, 2011

02 agosto, 2011